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Idoso é encontrado em condições análogas à escravidão durante operação no Recife; duas pessoas foram presas

Sede do Ministério Público do Trabalho de Pernambuco (MPT-PE) fica no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife Reprodução/Google Street View Um idoso enco...

Idoso é encontrado em condições análogas à escravidão durante operação no Recife; duas pessoas foram presas
Idoso é encontrado em condições análogas à escravidão durante operação no Recife; duas pessoas foram presas (Foto: Reprodução)

Sede do Ministério Público do Trabalho de Pernambuco (MPT-PE) fica no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife Reprodução/Google Street View Um idoso encontrado em condições análogas à escravidão foi resgatado por Auditores-fiscais do Trabalho no bairro da Mustardinha, na Zona Oeste do Recife. O resgate foi realizado durante uma operação que teve como objetivo fiscalizar, erradicar práticas degradantes e regularizar os vínculos empregatícios (saiba mais abaixo). Durante a fiscalização, duas pessoas responsáveis pela contratação do trabalhador e pelo imóvel onde ele atuava foram presas em flagrante. Elas chegaram a ser detidas, mas foram liberadas por decisão da 4ª Vara Federal em Pernambuco. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Segundo as investigações, a vítima tem cerca de 70 anos e atuava como cuidador de outro idoso, cujo filho é um dos suspeitos presos. O contratante morava no andar superior da casa onde ele vivia e trabalhava. A residência da vítima foi descrita como um ambiente "insalubre, com forte mau cheiro e estrutura precária" e ficava no térreo do imóvel. Já o filho do idoso morava em condições melhores, no pavimento de cima. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A apuração apontou que o trabalhador era submetido a: jornada exaustiva de 24 horas por dia; trabalho de segunda a domingo; ausência de descanso semanal e de intervalos legais; cerceamento de liberdade, sem acesso à chave da residência. Após o resgate, a vítima foi levada para um espaço de acolhimento social. A 4ª Vara Federal em Pernambuco homologou o flagrante, mas optou por conceder liberdade aos investigados sem impor medidas cautelares pedidas pelo Ministério Público. Na decisão, o entendimento foi de que não havia elementos que indicassem risco imediato à ordem pública ou prejuízo ao andamento do processo. De acordo com a Polícia Federal, o inquérito foi concluído e os suspeitos foram indiciados pelo crime de submeter trabalhador a condições análogas à escravidão. Olinda e Jaboatão A operação também foi realizada nas cidades de Olinda e Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, entre os dias 7 e 9 de abril. A ação contou com a participação dos seguintes órgãos: Ministério Público Federal (MPF); Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Trabalho Escravo (GEFM); Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); Ministério Público do Trabalho (MPT); Polícia Federal (PF). Durante a operação, além da Mustardinha, foram apuradas denúncias em outras três localidades. No bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife, uma mulher trabalhava havia mais de 20 anos como doméstica sem carteira assinada. Em Jaboatão dos Guararapes, também houve denúncia envolvendo uma trabalhadora doméstica idosa em suposta situação de informalidade. Em Olinda, a equipe apurou a denúncia de uma trabalhadora doméstica que exercia múltiplas funções, com jornada superior a 10 horas por dia e sem direito a descanso semanal. De acordo com o MPF, todos os locais fiscalizados com indícios de irregularidades foram formalmente notificados para adequação às normas trabalhistas. Os casos seguem sob investigação. ⚠️ Como denunciar? O Disque 100 funciona diariamente, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. As ligações podem ser feitas de todo o Brasil, de forma gratuita, a partir de qualquer telefone fixo ou móvel. Qualquer pessoa pode registrar denúncia sobre violações de direitos humanos das quais seja vítima ou tenha conhecimento. A partir disso, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania recebe, analisa e encaminha as denúncias aos órgãos de proteção e responsabilização. O governo também mantém um canal específico para denúncias de trabalho análogo à escravidão: o Sistema Ipê, disponível na internet. O denunciante não precisa se identificar e deve inserir o maior número possível de informações. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias